Tragédia grega, acto III

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ao chegar aos 10m recomeça a hiperventilar e verifico que desta vez não a vou conseguir acalmar, pois ela começa a demonstrar sinais de pânico e diz que quer vir para a superfície. De imediato faço sinalética ao grupo para nos afastarmos do recife e iniciarmos a subida, pelo que a corrente nos começa a afastar. Agora pensam vocês...ah...grande coisa...tiveste uma cliente que hiperventilou e tiveste de vir para cima. Não meus caros, a coisa ainda fica melhor. Apesar da minha sinalética, o marido continua no recife a fazer fotografia agachado e eu não o posso ir buscar, pois se a largo, ela vai para cima que nem uma flecha. Vejo o marido cada vez mais longe, pois a corrente afasta-nos e penso: “fantástico...tenho agora uma pessoa quase em pânico, estou numa zona com corrente forte e vou perder um mergulhador”. E eis que o bom gigante me auxilia disparando contra a corrente em direcção ao marido (teve de nadar uns bons 25m contra a corrente) e, puxando-o por uma barbatana, diz que está na hora de acabar a sessão de fotografia.
Ao voltarem, estou eu a acabar o patamar de 3min aos 5m tendo de lançar a bóia de sinalização para a superfície com um carreto de modo a que o barco nos veja e nos recolha. Para os que fazem mergulho, sabem que é completamente impossível realizar esta operação com uma mão, pois a outra estava ocupada a agarrar a grega. Abro o bolso, tiro a bóia do bolso, desenrolo-a, mas agora precisava de engatar o mosquetão do carreto e, pela primeira vez na vida, invejei um polvo! Olho para o lado e o marido já lá está, pelo que de imediato levo a mão dela à do marido e espero que eles se entendam. Como não começaram à estalada, decido que posso mandar a bóia para cima e lá subimos devagar até à superfície, altura em que ela tira a máscara e começa a chorar desalmadamente, tendo o marido dito algo que me pareceu grego. Provavelmente era!
Digo “thank you” ao bom gigante sem soltar as palavras da boca, libertando um suspiro por ter sobrevivido à minha primeira discussão conjugal subaquática!

0 comentários: