Sandbank

terça-feira, 11 de novembro de 2008



Imaginem um mar azul imenso. Agora imaginem que desse mar azul e transparente sai um pequeno banco de areia branca e fina com 10x10m rodeado de corais. Estão a imaginar bem? Não é preciso, têm a foto :D Pois bem, isso é o que por aqui se chama o sand bank e que é alugado por 3 horas pela módica quantia de 360 dólares.
Um casal do Dubai em lua-de-mel (muito original por estas bandas) alugou o dito banco de areia, pelo que era necessário ir prepará-lo, ou seja, colocar chapéu-de-sol, cadeiras, toalhas e uma geleira com as coisas que eles tinham encomendado. E foi assim que dei por mim a brincar com os pés na areia fina e molhada, enterrando-os e desenterrando-os enquanto abraçava uma nova carreira: a de segurador de barco. E o que faz um segurador de barco, perguntam vocês? Um segurador de barco, por incrível que pareça, segura o barco que foi enfiado areia dentro, de modo a que este não desatraque, enquanto o seu colega varre o banco de areia de coisas esteticamente desagradáveis como pauzinhos e palhinhas, de modo a deixar a areia com aspecto idílico.
E foi neste cenário que dei por mim a pensar: “estás aqui no meio do paraíso a segurar um barco com dois dedos à proa...brincas com a areia que te desliza entre os dedos, sentes a temperatura cálida destas águas, inspiras, expiras e és simplesmente feliz como uma criança”. A vida pode ser muito simples em certas ocasiões, sem dúvida!
De repente, o Adam dá a sua tarefa por terminada, empurro o barco para dentro de água, salto para dentro e lá vamos nós na lancha rápida a 40 nós buscarmos o dito casal. A vida é, realmente, simples!

Himendhoo, parte 2

sábado, 8 de novembro de 2008

Mais algumas fotos do mergulho em Himendhoo...



















Himendhoo

sexta-feira, 7 de novembro de 2008


Hoje era o meu dia de folga após quase duas semanas de trabalho intenso, devido ao surto de otites de que já vos falei, por isso, quando o Vova me disse ontem que ia à procura de mantas hoje nos mergulhos só me apeteceu bater-lhe. Precisava (preciso) mesmo de descansar, mas se eles vêem mantas nos mergulhos e eu fico a dormir nunca mais me perdoarei, pensei eu.


E assim foi. Fizemos dois mergulhos e mantas nem vê-las, mas pude fazer algo que não fazia há imenso tempo: mergulhar "mesmo"! E qual a diferença entre mergulhar e mergulhar mesmo? Simples: quando mergulho, levo clientes; quando mergulho "mesmo" levam-me a mim e à câmara :D A visibilidade não estava muito famosa devido à imensa quantidade de nutrientes na água, mas mesmo assim o resultado foram horas sem fim a escolher e tratar as fotos, sendo que aqui vou deixando, dia após dia, algumas delas de modo a não fazer um post de 10 páginas.

Espero que gostem :)
















Apedeite

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Devido a uma crise de otites que atacou o pessoal aqui, só eu e outra instrutora é que estivemos operacionais (dum grupo de 6), pelo que nos últimos dias não tem havido descanso para nós os dois. Eis a razão pela qual eu não tenho podido postar com a frequência desejada. Contudo, foi uma semana plena de acontecimentos que muito me deixaram feliz e dos quais darei conta em breve.
Para já, ficam breves apontamentos:

- A oposição ganhou as eleições aqui acabando com 30 anos de ditadura, para gáudio do pessoal que trabalha comigo mais de perto no resort;

- O Obama lá ganhou como era esperado, estando os maldivanos contentes com o facto, por ele ser negro (como se eles o fossem também);

- O meu colega Vova (ucraniano residente na Hungria) descobriu hoje (dia das eleições americanas) que o Obama era preto;

- A minha colega italiana e loira descobriu no outro dia, quando ouviu uma conversa minha com um hóspede no barco, que havia uma crise económica.

Conclusão: viver no meio do paraíso sem ter contacto com o mundo exterior pode embrutecer. No dia em que eu começar a torcer pelo Sporting é sinal que fiquei embrutecido de todo, pelo que peço encarecidamente aos meus amigos que me venham resgatar! (por falar nisso, cheira a leitão por aqui pessoal :P)

Nasce uma democracia

terça-feira, 28 de outubro de 2008


Acabo de viver um momento único, o nascer duma democracia. Tenho de confessar que foi por acaso que tropecei no momento que vos vou descrever, pois ia a caminho da loja do staff aqui na ilha quando me deparei com a urna dos votos, uma caixa transparente com uns 60x60x60cm selada, com abraçadeiras largas no meio da sala de diversões do staff. Hoje não havia nem ping-pong nem snooker para ninguém, mas eu era o único a reparar nisso.

Com aquela sensação de quem entrou num sítio proíbido, desloco-me para o fundo da sala para entrar na loja rapidamente quando o Zaheem me chama: “Paulo...the shop is closed”. Afinal só abria às 20h30 e ainda eram 20h10. Aproveitei a dica para lhe perguntar o que iam fazer com a urna. Ah, vão abri-la às 21h00, contar os votos e depois comunicar para Male. O.K., digo eu, então voltarei depois. Escusado será dizer que voltei à loja pelas 20h55.

Com uma garrafa de água de 1,5l, uma pasta colgate active salt e um desodorizante de marca desconhecida nas mãos, reparo que a abertura da urna é um processo público. Começam a cortar as abraçadeiras, abrem a urna e começam a tirar os votos um a um, mostrando para o “público” presente e separando por 3 pilhas, a saber: presidente/ditador em exercício, opositor da coligação e nulos/brancos.

Dizem que não posso tirar fotos, pelo que me desloco para trás da audiência que assiste ansiosa à contagem. Ao fundo da sala alguém deixou um jogo da psp3 a correr e ainda uma televisão com o noticiário local. Aproveito a minha invisibilidade para tirar algumas fotos sem flash, algo que me irão perdoar certamente, dada a importância histórica do acto. Assim que o último voto é mostrado, todos batem palmas felizes por terem podido determinar algo pela primeira vez nas suas vidas.

Existe uma tensão que se respira no ar quando a contagem realmente começa e o resultado é comunicado: 81 votos para o opositor, 21 votos para o presidente em exercício. A juventude dos staff que aqui trabalha dita o resultado em prol duma mudança por algo que nenhum deles me sabe bem explicar, mas que é uma baforada de ar fresco depois de 30 anos do mesmo. Os resultados das Maldivas inteiras só se saberão noite dentro, mas este espírito de poder fazer a diferença é algo de único.

Não sei se o opositor irá ganhar, e mesmo ganhando, se este entusiasmo todo terá retorno no dia-a-dia das vidas dos maldivanos, mas a hipótese de ter presenciado o nascimento da democracia num povo que quer comandar os seus destinos, em vez de ser comandado, é algo que nunca esquecerei. Obrigado meus amigos maldivanos, por me terem deixado presenciar, como se um de vós fosse, este parto. Que sejam felizes!

Seabob

domingo, 26 de outubro de 2008


Hoje vou falar-vos do Seabob. Para as mentes mais pecaminosas que já estão a pensar na versão aquática da rábula da Brigitte Bardot, podem tirar daí os cavalinhos, pois estes cavalos são outros.
Isto não é uma scooter subaquática nem é uma mota de água. É algo que fica algures a meio, não sendo realmente parecido com nada.
É eléctrico e tem um computador de bordo que gere a potência que escolhemos, indicando a autonomia esperada com aquele nível de utilização. Também permite que seleccionemos algumas características como a profundidade a que o corte automático de energia se dá, de modo a evitar problemas com os ouvidos na equalização.

Eu fui seleccionado juntamente com outros 2 colegas de entre um vasto lote de candidatos (só nós os 3 estávamos disponíveis) para servirmos de modelos para a publicidade a esta actividade. Um mergulhador vai com uma câmara e nós fazemos passagens sem fim para a fotografia junto dele.
Digamos que aprender a andar no seabob e, ao mesmo tempo, parecer gracioso e natural (tudo em 30min) não foi nada fácil, mas pelos resultados finais, só podemos deduzir (sim, vocês também podem deduzir comigo) que a graciosidade e a naturalidade na água (e porque não em terra e no ar) são-me naturais. Isso e a humildade, claro!
Ao princípio nem sabia onde colocar os braços, o corpo e as pernas, sendo que “cair” à primeira tentativa de virar em aceleração foi o resultado. Depois de algumas tentativas, a coisa lá se compôs e a partir daí foi sempre a descobrir as potencialidades da coisa. Abaixo dos 50% de potência, não conseguimos afundar, servindo somente para andar à superfície, mas a partir daí, dirigindo o seabob para baixo, ele suga-nos num turbilhão de água e bolhas e lá vamos nós, sendo a coesão do conjunto seabob/utilizador garantida somente pela força de braços. Com o ar que temos nos pulmões, estabilizamos a uma certa profundidade e depois divertimo-nos curvando e, no meu caso, disparando para a superfície a toda a velocidade, tendo como resultado uma projecção no ar seguida duma queda aparatosa na água ao melhor estilo submarino a emergir. Depois da sessão fotográfica decidi ver o que aquilo realmente dava a caminho do centro.

E aí, meus amigos, a coisa muda de figura. Deixa de ser um brinquedo e passa a ser um veículo. A 2m de profundidade e a toda a potência, a máscara parece querer sair da cara, o tubo da boca e até o fato parece querer sair do corpo. Os peixes são deixados para trás e só vemos o recife a passar a toda a velocidade. Foi a primeira sensação de velocidade subaquática com adrenalina que tive e posso dizer-vos que vou fazer isso de novo um dia destes num dia de folga. Alguém quer vir comigo? ;)

Reunião em Gaathafushi

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Todas as segundas existe uma reunião de pessoal às 18h00 quando fechamos o tasco, sendo que uma vez por mês é em Gaathafushi. E o que é Gaathafushi, perguntam vocês? Pois bem, Gaathafushi é uma ilha mínima, sem iluminação, com um diâmetro de 100m que alugamos para jantares românticos privados, onde se colocam tochas para iluminar a zona da praia até à mesa de madeira, a qual está coberta com um toldo de madeira estilo palhota. Tudo isto rodeado árvores tropicais. Ao melhor estilo reality show portanto.
Carregámos a geleira com bebidas, levámos algumas outras para fazermos uns cocktails e zarpámos em direcção à reunião.
Chegados lá (em 2 viagens, pois o barco rápido não pode levar o staff todo duma vez), instalámos as coisas, acendemos as tochas e reunimo-nos com as bebidas em círculo na areia. Olho para o céu estrelado, depois para o mar, onde se vislumbra a ilha de Fesdu (onde está o resort) e reparo que deve ser das reuniões de empresa mais fantásticas que se podem conceber. Não sopra uma brisa que seja e os assuntos da reunião são corriqueiros. Exemplo? Não se pode levar pessoal com mais de 110kg a fazer parasailing senão aquilo não descola e faz-se parasurfing. Eu proponho comprarmos uma balança para pesarmos os clientes, mas alguém acha que isso feriria susceptibilidades. Não sei porquê. Ou se tem mais ou se tem menos. Se tem mais, azar, mas pronto...em frente.
Acabada a reunião, contámos histórias, rimos daquilo e daqueloutro e divertimo-nos com o Haleem sempre a fazer partidas como amarrar garrafas às costas do pessoal sentado ou cavar um buraco atrás aqui do vosso amigo para quando eu me reclinasse cair. De repente, o Monsoor (capitão) diz: vem aí uma tempestade. Rimos todos da impossibilidade de vir uma tempestade e a coisa continua. Finalmente, faz-se tarde e começamos a arrumar as coisas. Chegamos à praia de acostagem, carregamos as coisas no barco e os primeiros partem. Mal deixam de ser visíveis, chega uma rajada de vento que nos deixa apreensivos. Um pingo, outro...corremos para debaixo do chapéu-palhota e eis que cai um dilúvio tocado a vento. Por momentos que parecem infindáveis deixa-se de ver a ilha de Fesdu. Será que eles conseguem navegar até lá? (este barco não dispõe de ajudas à navegação, pois é para viagens curtas). A chuva aumenta de intensidade, tal como o vento e nem debaixo da palhota estamos completamente secos. Passados alguns minutos, ligamos ao Monsoor para lhe dizer que não nos venha buscar já, pois é melhor deixar passar a tempestade. Tarde demais, pois já vem a caminho. Mas vem a caminho do quê? Se nós não vemos a ilha de Fesdu que é toda iluminada como pode ele ver uma ilha que não tem luz alguma no meio da escuridão? Confirma-se. Ele está a meio caminho sem saber que direcção seguir. Precisa de esperar para ver a ilha de Fesdu por trás para depois chegar até nós. Como não sei.
A ansiedade aumenta. E se eles batem num recife? E se se perdem no meio do atoll? Levaram luzes? Que saibamos, só uma lanterna forte. Decidimos ir para o meio da tempestade com as lanternas dos telemóveis fazer sinais em direcção ao mar, pois mesmo sendo luzes fracas, na escuridão poderão ser visíveis. Duvido que a chuva deixe a luz passar mais do que 50m em direcção ao mar, mas junto-me ao grupo. Por esta altura nem contacto telefónico conseguimos com eles, sendo que estamos todos ensopados. Felizmente a temperatura continua agradável para mim, embora haja quem se queixe do frio, pois a chuva é acompanhada de vento. Passam minutos sem tempo, minutos de ansiedade e alguma preocupação, não tanto por nós, mas pela tripulação algures no mar. De repente vislumbra-se a ilha de Fesdu, e ao mesmo tempo, a lanterna que eles trazem. Acenamos com as luzes dos telemóveis, mas não é preciso...eles já vêm na direcção certa.
Mais um minuto e estão no canal de acesso à praia onde nos recolhem. Ficamos todos felizes por nos reencontrarmos e encetamos o caminho de volta, pensando que um duche quente será o final perfeito para esta “reunião”!

P.S. Após tomar o meu duche, está na altura de ir abrir o meu Porto. À vossa meus amigos!