Passando sobre Omã

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009



Quando se pensa em Omã, que se pensa? Nada, pois. Não me recordo de alguém famoso de lá ou que por lá tenha feito algo sequer. Como não gosto de me confrontar com a minha ignorância, fui ao google dar cabo dela. Descobri que governámos a costa de Omã (a sua costa) durante 150 anos até que fomos de lá corridos pelos Otomanos. E depois querem a Turquia na UE!!! Descubro também que vivem do petróleo, facto muito original nesta região.
Mas porque falo de Omã? Desta vez, na viagem do Qatar até às Maldivas vim com céu descoberto e de dia, pelo que pude dar uma boa vista de olhos no país em questão.
Imaginem que viajam a 940km/h e durante largos minutos só vêem areia, mais areia, alguma areia ainda e finalmente mais areia.



Estimulante, não? Contudo, repentinamente, o cenário muda e aparece uma cadeia montanhosa (calculo que montanhas de Hajar...obrigado enciclopédia britânica) com vales onde se avistam aglomerados populacionais. Um vale e umas casas...estradas de terra que percorrem as montanhas e que se estendem deserto rochoso fora sem que se veja destino. Estradas que vêm de lado algum e que se cruzam com destino a lado nenhum visível. E isto visto de cima...imaginem a conduzir na estrada...a perspectiva de infinidade do horizonte...deve ser fabuloso.
Mais montanhas, mais aldeias/vilas e assim continua. Pergunto-me se aquelas pessoas se sentem isoladas. Vivem com mais umas dezenas ou centenas de pessoas e para irem a algum lado perdem horas ou dias a fio. Será sequer que têm meios para se deslocarem? Como vivem? De que é feito o seu dia-a-dia? Serão felizes? Como?
Finalmente penso que se um habitante de Omã (omanense, omaniano ou omani de acordo com a Wikipedia) passasse de avião sobre uma ilha dos Açores pensaria o mesmo e sinto-me um bocadinho mais feliz por elas. Afinal o isolamento está somente em nós, pois ao contrário das aves que só podem voar com o corpo, o homem pode voar sempre que quer. Chama-se imaginação e capacidade de sonhar!

Em Madrid numa Lunes

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Decido ir de Metro até ao centro de Madrid. Descubro que foi uma opçao inteligente, pois ontem tiveram um nevao que bloqueou tudo, inclusive o aeroporto umas horas. Os madrilenos têm 2 tipos de carruagens: umas todas modernaças que servem a linha do aeroporto e umas que me fazem lembrar as de Lisboa de há 20 anos que servem as do centro da cidade. Assim sendo, é como fazer uma viagem no tempo, ao ponto de até terem um Manolo a tocar musica popular espanhola num acordeao para dar aquele ar antigo à coisa. Pronto, se calhar o senhor que tocava acordeao e a quem eu dei uma moeda nao é empregado do metro. Mas ficava bem! Está frio, chuvisca, mas eu sou um homem afoito (e com um belo casaco), pelo que após 50min de viagem por 4 linhas diferentes chego à estaçao de Atocha.

Saio, oriento-me pelo mapa, sem indicaçao do Norte, que me deram no turismo e vou ao museu da rainha Sofia. Depois duma corrida pela secçao de "arte" moderna chego ao que queria. Picasso, Miró e Dali com fartura para além de outros pintores como Francis Bacon (começa amanha uma exposiçao de Bacon no Prado que eu perdi por 1 dia!!!!).

Guernica é impressionante, tal como todas as obras de Picasso. É claro que qualquer destes senhores acima sofria de fortes problemas de foro psiquiátrico, e nao digo isto somente por serem espanhois, que eu cá, ao contrário do que pensam, nada tenho contra as criaturas. Já bem lhes basta nao terem podido escolher onde nasceram.
De todos prefiro Dali pela profundidade e pelas cores, sem contar com a variedade dos temas. Fiquei a reflectir porque estaria um enorme gafanhoto de patas para o ar na tela "O Grande Masturbador". Apelo ao vosso espírito crítico e imaginativo para lançarem dicas nos comentários!

Termino a visita e saio para a rua de olhos bem abertos e nariz bem fechado, pois o frio gelava-me a canalizaçao respiratória. Como qualquer coisa no MacDonald's (sim, tapas e bocadilhos comam-nos vocês) e desato a percorrer o maior número de atracçoes possível sempre com um céu escuro e chuviscos constantes. Entre jardins, igrejas e afins passam-se 2 horas de sorte com o tempo, pelo que decido nao arriscar mais e enfiar-me no metro para regressar seco e a tempo ao aeroporto.

No regresso reparo na diferença entre os viajantes das diferentes linhas, do espanhol popular às senhoras bem, conforme as zonas por onde passamos. Um dia voltarei...sem ser numa Lunes!

Mais um Lisboa-Madrid

Mil desculpas aos leitores deste blog (todos os 5), pela ausência de posts durante estas duas semanas, facto que deve ter causado imenso transtorno na paz mundial e até na Madeira.
Ora pois cá estamos nós em mais uma viagem ao outroladodomundistao. Para começar a viagem esqueci-me do telemóvel em casa, pelo que o meu irmao teve de voltar a casa e trazer-me o dito na hora de ponta. Imagino que o "taxi" tenha voado para ele o conseguir em 45min.

Voltei a viajar na Iberia até Madrid, tendo a simpática companhia voltado a nao colocar ninguém a meu lado. Será que sou VIP (Very Important Pathogen)?
Sento-me no meu lugar à janela (como se Barajas visto de cima fosse mais giro que de lado) e de imediato reparo no orgulho castelhano na sua história. Imaginem vocês que em todas as costas das cadeiras está a frase: "Abrochese el cinturon". Sem dúvida uma referência elogiosa a um cavaleiro medieval de seu nome "El Cinturon" perante o qual todos se deviam ajoelhar no seu tempo. Comovente, sem dúvida!

A viagem decorre sem grandes sobressaltos chegando com pouco atraso a Madrid. Desta vez só viajo com mochila, pelo que vai ser uma barrigada de museus, tinha eu decidido. Dirijo-me de imediato ao guichet informativo e pergunto pela estacao de metro para o Museu Thyssen.
"Ah, está fechado...hoje é Lunes!" E o Prado? "Fechado". Percebo enfim que tudo está fechado à segunda-feira. Lindo! E eu com 8 horas para matar.

A menina saca dum livro turístico e abre na secçao: "Que hacer los lunes", em Português: "para os tansos que vêm a Madrid por um dia no dia em que está quase tudo fechado". Se pensam que a minha traduçao nao é fiel por parecer muito comprida, relembro que as traduçoes sao uma arte por vezes oculta conforme todos sabemos graças à RTP e afins.
Pois bem, a caminho de Madrid numa "Lunes"...

Vivencias

domingo, 18 de janeiro de 2009

Em primeiro lugar tenho de pedir desculpa pela falta de acentuacao deste post, mas estou a usar um pc alugado em Heathrow.

Sao agora 3h45 da matina/noite e nem sei bem o que me custa mais. Se o facto de nao dormir decentemente de ha 48 horas para ca (48 horas eh como quem diz...com o fuso tanto pode ser mais como menos...estou sem cabeca para fazer contas), se o facto de so comer comida de aviao/aeroporto ha 36 horas, se o facto de ja ter feito uma catrefada de kms divididos entre viagem de barco turbulenta e duas viagens de aviaoassim pro longas, se o facto de ja ter jet-lag na carola associado a uma enxaqueca por nao dormir ou se o facto de ter passado de 30 graus para 3 graus com ares condicionados pelo meio (o que me entupiu a canalizacao e se prepara para dar cabo da garganta) .

Ate ao destino ainda me faltam 2 viagens e mais umas horas de espera (so aqui foram 8) e o resto ja em Portugal.

Decididamente, a ilha onde estou nas Maldivas eh o ponto mais longinquo de Sao Miguel neste planeta. Com sorte (mesmo muita), consigo chegar a Sao Miguel so com paragem em Male e Frankfurt. Com azar (como eh o caso), paro em Male, Qatar, Londres ou Madrid e Lisboa.

Eh claro que isto tem as suas vantagens. Sinto-me cada vez mais um cidadao do mundo e cada vez menos a gostar do facto (desculpa la oh Socrates...nao, nao falo do actual PM...falo do original que sou pouco dado a copias de duvidosa qualidade). Hoje em dia posso orgulhar-me de que conheco varias unidades monetarias, quais os precos dos hoteis a volta de Heathrow, onde comer e o que comer em varios aeroportos, onde estao os centros de acesso ah net de cada um, etc, etc. Mas para que raio preciso eu de saber isto????

Ah...e posso comprar souvenires girissimos dos sitios por onde passo, apesar de em alguns deles so conhecer o aeroporto (como esquecer aquela viagem linda de 60min a Budapeste, dos quais 50 foram passados na fila do passaporte, 5 no wc e os outros 5 a correr para apanhar o voo para Lx?).

Ainda ha pouco passava um bife com cara de hooligan e pensei leva-lo como souvenir, mas acho que ja temos bicharada a mais no nosso canto. Para isso tinha trazido uns camelos do Qatar que sempre dao jeito em alturas de seca!

Mantas

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Não quero maçar ninguém com sequências enormes de fotos, pelo que aqui fica uma amostra das minhas últimas duas semanas. Feliz Ano Novo :D
















O W no Natal

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A pedido de várias famílias, eis algumas fotos da ilha em si e, porque não, em mim também!

















O Vlad

sábado, 3 de janeiro de 2009

O Vlad é um miúdo russo de 13 anos de idade.
O Vlad é um miúdo alegre de sorriso pronto e sempre a tentar comunicar, apesar do seu rudimentar inglês.

O Vlad não sabe o que é ter fome.
O Vlad tem equipamento de mergulho no valor de 3000 euros.
O Vlad viu sete mantas no seu segundo mergulho de sempre.
O Vlad nunca fez mergulho com um fato roto em águas frias.
O Vlad gosta imenso de tudo na escola: matemática, russo, inglês, francês, alemão, geografia, literatura, desporto, pintura, música.
O Vlad nunca conheceu meninos que nunca foram à escola.
O Vlad tem o mundo a seus pés e pais que o amam.

O Vlad não sabe o que é não ter o amor e o carinho de alguém.
O Vlad acabou hoje o seu curso de mergulho.
O Vlad teve-me como seu instrutor e fez-me feliz sempre que o vi sorrir com aqueles olhos brilhantes de êxtase.
O Vlad tem o que todas as crianças deveriam ter: a possibilidade de serem felizes.